• segunda-feira , 20 maio 2019

10 mil protestam na Sé contra Reforma da Previdência

MOVIMENTO

Enquanto o presidente Bolsonaro entregava proposta da Reforma no Congresso, centrais sindicais reuniam trabalhadores em assembleia nacional na Praça da Sé
Por Marcelo Menna Barreto
Ato na Praça da Sé em São paulo reuniu milhares de trabalhadores contra a Reforma da Previdênci

Ato na Praça da Sé, em São Paulo, reuniu milhares de trabalhadores contra a Reforma da Previdência

Foto: Marcelo Menna Barreto

Na manhã desta quarta-feira, 20, sob forte sol e em um calor de 31 graus, trabalhadores e lideranças de movimentos sindicais lotaram a praça da Sé, em São Paulo, no exato momento que o presidente Jair Bolsonaro entregava na Câmara Federal, em Brasília, a proposta de reforma previdenciária de seu governo. O evento, uma atividade conjunta de oito centrais sindicais (CUT, Força Sindical, CTB, Intersindical, Nova Central, CGTB, CSP-Conlutas e CSB) conforme os organizadores reuniu cerca de 10 mil pessoas e se chamou Assembleia Nacional da Classe Trabalhadora. Na ocasião, foi definido um calendário de lutas que prevê atos públicos, mobilização nos locais de trabalho e nos bairros de todos os municípios do País para, segundo os organizadores, dizer não à proposta que “praticamente acaba com o direito à aposentadoria de milhões de brasileiros e brasileiras”.

Documento aprovado pelos presentes na assembleia destaca, para a convocação de grandes atos unitários, no 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, e no 1º de Maio, Dia do Trabalhador. Também foi deliberada a realização de um Dia Nacional de Lutas e Mobilizações em defesa da Previdência Social Pública e contra o fim da aposentadoria, em data a ser estabelecida pelas centrais sindicais, como parte da Jornada Nacional de Lutas em defesa da Seguridade e a Previdência Social.

Douglas Izzo, presidente da CUT São Paulo e professor da rede estadual, criticou a proposta de Bolsonaro, na sua opinião um presidente fake. Izzo denuncia que o governo está tentando colocar os trabalhadores do setor privado contra os servidores públicos. “Precisamos, antes de tudo, manter a unidade dos trabalhadores do setor público e privado, do campo e da cidade, porque essa proposta de reforma nada mais é do que o fim do direito à aposentadoria de todos nós”, defendeu ao acrescentar: “Ninguém mais vai se aposentar se não lutarmos. O caminho é continuar a construir a luta de resistência e impedir o avanço dessa proposta”.

Na mesma linha, o dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Luis Carlos Prates, o Mancha, alertou para a tentativa de manipulação por parte do governo: “Vai mentir descaradamente e tentar manipular a população instigando a confusão para que de fato os trabalhadores não entendam os malefícios da reforma. Ao invés de trabalhar com a palavra ‘reforma’ usará a palavra ‘mudança o que pode soar como positivo para a população, o que tem como intuito acabar com a aposentadoria e direitos previdenciários”.

Para Wagner Gomes, secretário geral da CTB Nacional, “a ideia é que os estados intensifiquem a mobilização e diálogo com a base para que ocupem as ruas e alertem o nosso povo sobre o que está em jogo com a ameaça de Reforma da Previdência”, destacando que a possibilidade dos trabalhadores se aposentarem com uma certa dignidade vem sofrendo sucessivos ataques desde a gestão Michel Temer.

UNIFICAÇÃO – Em 28 de abril 2017, as centrais sindicais realizaram uma histórica greve geral contra a reforma da Previdência proposta pelo então presidente Temer. Foram mais de 40 milhões que cruzaram os braços para protestar contra o fim da aposentadoria e também lutar por uma Previdência Social pública, universal, com valorização real que ampliasse a proteção social aos que mais necessitam.

Depois da greve geral, novas manifestações ocorreram, como o Ocupe Brasília, em 24 de maio daquele ano. Nessa manifestação, mais de 150 mil pessoas marcharam na Esplanada dos Ministérios contra os ataques aos direitos dos trabalhadores. A pressão das manifestações, tanto na capital do país quanto nos estados, conseguiu parar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287. Atualmente, a PEC 287 aguarda votação em Comissão Especial na Câmara dos Deputados.

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